





Na foto, uma jovem e elegante Diana em seu apartamento em Park Avenue, NY
Recém exibido no Festival do Rio, o documentário Diana Vreeland: o olhar tem que viajar conta de maneira leve e divertida, como esta mulher, que não nasceu bela, mas possuía um enorme senso de estilo e elegância, sacudiu o mundo fashion com sua mente ousada e seu faro apurado...Diana não era bonita, sabia disso e tirava partido. Tinha estilo de sobra! Elegante e ousada, usou isso a seu favor. Foi justamente sua maneira de se vestir e sua forma de se portar que chamaram a atenção de Carmel Snow, da revista Harper's Bazaar, onde conseguiu seu primeiro e bem sucedido emprego no mundo da moda
Durante os anos na Harper's Bazaar, 1937-1962, Diana editou a coluna Why don’t you, que dava sugestões bem-humoradas e absurdas às leitoras em tempos de guerra. Como, por exemplo: Why don’t you paint a map of the world on all four walls of your boys’ rooms, so they don’t grow up with a provincial point of view? – Por que você não pinta um mapa-mundi nas quatro paredes do quarto de seus filhos, para que eles não cresçam com um ponto de vista provinciano?
Na Harper's Bazaar e, mais tarde, na Vogue, Diana descobriu e lançou inúmeros talentos, entre eles, a atriz Lauren Bacall, que começou como modelo, mas logo seria chamada por Hollywood. Era impressionante como tudo o que Vreeland tocava, virava ouro. Ela tinha um faro apurado para o que era novo e o que estava prestes a estourar. Tinha paixão por belezas exóticas, gostava de trabalhar com modelos não convencionais. O que poderia ser considerado um ponto fraco na aparência de uma modelo, ela valorizava, transformando em ponto mais forte de sua beleza. Como quando decidiu fotografar de perfil Barbra Streisand , cujo nariz era considerado horrendo . Diana queria transformá-la em um Nefertiti. A sessão de fotos foi um verdadeiro sucesso! E como eu me lembro dessas fotos...Durante a Segunda Guerra Mundial, a jovem Lauren Bacall deu o ar de sua graça na Harper's Bazaar. A capa, acima, chamou a atenção de Hollywood, que pouco tempo depois a convidou para trabalhar...
Veruschka, by Franco Rubartelli – Vogue US 1968
Cher - Vogue US 1966
Ousadia? É o que podemos chamar quando Diana publicou, pela primeira vez, no final da década de 40, uma modelo vestindo biquíni em uma revista! Foi um verdadeiro escândalo! Uma bomba atômica! Buuuum!...
Mais algumas capas bacanas publicadas no período em que Diana foi editora da Harper's Bazaar. Algumas delas em parceria com o designer gráfico Alexey Brodovitch e o fotógrafo de moda Richard Avedon...
Bom gosto, criatividade e ousadia, marcas de Diana Vreeland
Ninguém dava nada por Mick Jagger na América. Mas as anteninhas de Diana captaram algo de interessante no jovem rapaz... E ela foi a primeira a publicar uma foto dele em uma revista norte-americana, a Vogue US. O clique acima é do grande David Bailey, que trabalhou por muito tempo ao lado de Vreeland
Não é pretensão dizer que Diana ditou a moda durante o período em que esteve na ativa. E pode-se dizer também que se a Vogue América alcançou o prestígio que tem hoje certamente foi por causa de Vreeland. Nos anos em que comandou a revista, o sucesso, a ousadia e a beleza das publicações sob o seu comando foram indiscutíveis. Se fosse preciso, ela iria até ao Japão fotografar Veruschka na neve, ao lado de um lutador de sumô. E, sim, ela o fez! Diana queria dar às suas leitoras o que elas jamais poderiam ter. Queria que sonhassem. Queria transportá-las a um novo universo, cheio de fantasias, totalmente belo e desconhecido. Esta é a grande graça da moda, não é mesmo?! “Monotonia”, uma palavra desconhecida no dicionário Vreeland...
Se fosse preciso ir até ao Japão para fotografar Veruschka na neve, ao lado de um lutador de sumô, pode ter certeza, Diana iria. E ela foi! As fotos, acima, são cliques de Richard Avedon e pertencem a um editorial publicado na Vogue US, ano 1966
No entanto, em 1971, a revista resolveu cortar as asinhas de Vreeland. Ela foi uma das editoras que custou mais caro à Vogue. Mas alguém com o currículo desta senhora não ficaria por muito tempo desempregada. Logo, ela receberia o convite para prestar consultoria ao Costume Institute do Metropolitan Museum of Art, de NY. Sob o seu olhar atento, foram montadas belas e audaciosas exposições de Moda, como a que trouxe figurinos da corte francesa do séc. XVIII e a de figurinos de grandes produções hollywoodianas. Uma verdadeira revista em 3D! A expo ma-ra-vi-lho-sa da retrospectiva da carreira de Yves Saint-Laurent, que visitei duas vezes, provocou polêmica junto à cúpula do museu e aos puristas em geral, que não admitiam que um estilista vivo, com uma loja a poucas quadras do Met, fosse homenageado. Para eles, tratava-se de publicidade, mas, para Diana Vreeland, as roupas de Saint-Laurent eram obras de arte. A História provou que ela estava certa...Diana fazendo pose com seus manequins do Metropolitan Museum of Art
Fotos: reprodução
A plateia que lotou o Espaço Tom Jobim estava repleta de gente da moda
Como eu já comentei aqui, Jean-Paul veio à Cidade Maravilhosa para divulgar o filme Jean-Paul Gaultier, Quebrando regras, documentário que conta sua trajetória de vida e carreira, exibido no Festival do Rio...Betty Lagardère foi de listras para homenagear o estilista, conhecido por seus looks de marinheiro
Paulo Borges, que ajudou a promover a palestra com seu portal FFW, também foi prestigiar Jean-Paul com as clássicas listras
Acompanhado de Farida Khelfa, diretora do filme, musa do estilista e uma das primeiras mulheres árabes a enfrentar as passarelas do mundo fashion, Gaultier contou que, por não ter estudado moda, sua grande escola de vida foi o trabalho. Quando jovem, tornou-se assistente de Cardin, a quem respeita e deve boa parte de seu aprendizado. O interesse pela moda, ele herdou, ainda criança, de sua avó. Gostava de brincar de bonecas e travestia seus ursinhos de pelúcia com seios de papel, já revelando aí um lado transgressor... Risos...Jean-Paul, Farida e Betty, pouco antes de a palestra começar
Farida e o grande amigo Jean-Paul na passarela da Paris Fashion Week, temporada Spring 2011 Couture
Colocar na passarela o modelo andrógino Andrej Pejic vestido de noiva, a cantora gordinha Beth Ditto e homens de saia são algumas das muitas ousadias de monsieur Gaultier
Com vinte e poucos anos, encontrou aquele que viria a ser seu grande companheiro de vida e de trabalho, Francis Menuge. Na época, Gaultier não tinha dinheiro, mas uma vontade terrível de criar moda. Por essas e outras, para se destacar, precisou ressaltar ainda mais o seu lado criativo. Mas foi graças ao impulso de seu parceiro, sempre ao lado, lhe dando força, que Gaultier tomou coragem e lançou sua primeira coleção, aos 24 anos. Daí em diante uma longa trajetória seria percorrida...Com o companheiro, Francis Menuge, falecido na década 90, em decorrência do vírus da AIDS
O estilista lamentou nunca ter tido um lado empreendedor para conduzir os negócios. Mais tarde, quando já havia alcançado o sucesso, teve que procurar alguém que pudesse assumir o lado financeiro da empresa para que ele pudesse exercer seu lado de criador. “Eu nunca pensei em vender, eu sempre pensei em vestir pessoas”.Gaultier encantou a plateia com sua simpatia e simplicidade
A ex-modelo musa de Jean-Paul e diretora do documentário, Farida Khelfa. Ninguém melhor que ela para rodar um filme sobre a trajetória do estilista
Gaultier comentou que sua adoração pelas listras breton (uma de suas grandes marcas) vem da infância, quando vestia roupinhas de marinheiro...Gaultier imerso no universo de suas listras breton, também conhecidas como listras de marinheiro
O estilista costuma trabalhar as listras das mais diversas formas em suas coleções
Outra marca de seu estilo são os frascos de perfume em formato de corset ou busto. Jean contou que quando criança descobriu um espartilho no armário de sua avó e ficou encantado com a estrutura, a forma, os tecidos e materiais que compunham a peça. Curioso, perguntou à avó para que servia. Ela lhe disse: “Para corrigir a silhueta”. Mais tarde, já trabalhando como estilista, fez um espartilho surrealista, prolongado até o pé, de maneira a fazer com que a mulher que o usasse não conseguisse andar. Crítica, provocação, ironia, coisas de Gaultier...Os famosos perfumes Gaultier em formato de corset ou busto
Impossível falar de Gaultier sem associá-lo a Madonna! Amigo íntimo da cantora, ele desenvolveu inúmeros figurinos para turnês e videoclipes. O mais famoso, certamente, é o da turnê Blonde Ambition, em que Madonna usa o icônico corset de bico em formato de cone...Madonna, na turnê Blonde Ambition, com seu famoso corset by Gaultier
Além da moda e de Madonna, o designer também se arriscou no cinema, desenvolvendo figurinos para grandes filmes. Em especial, destaca-se a parceria com o diretor espanhol Almodóvar, para quem criou os figurinos de Kika (1993), Má Educação (2004) e, mais recentemente, A Pele que Habito, longa que abriu o Festival do Rio. Outros filmes memoráveis: O Quinto Elemento (1997), de Luc Besson e O Cozinheiro, o Ladrão, sua Mulher e o Amante (1989), de Peter Greenaway. Gaultier disse ser sempre um desafio adaptar seu estilo a uma determinada trama ou personagem...Figurinos by Jean-Paul Gaultier
Empolgado com o Brasil, aceitou o convite de Paulo Borges para vir ao Fashion Rio e à São Paulo Fashion Week na próxima temporada. Aguardamos ansiosamente!...O cenário do desfile: um enorme carrossel branco! - Fotos: Patrick Kovarik/ AFP
Confiram alguns looks e acessórios selecionados por nós:
Fotos: Yannis Vlamos / GoRunway.com, via Style.com
Fotos: Pascal Le Segretain/ Getty Images
No make, o destaque ficou por conta dos olhos delineados, iluminados e com super cílios. No cabelo, coque bagunçadinho e tiaras de strass. - Fotos: Luca Cannonieri / GoRunway.com, via Style.com
A bela super-uber-top, Kate Moss, fechou o desfile com um vestidinho branco e marfim de flores vazadas e plumas. No pés, scarpins brancos. - Fotos: Eric Ryan/ Getty Images
Marc e Kate eram só amores no backstage. A top é uma das melhores amigas do estilista. - Fotos via Look.co.uk
O cenário do desfile era o fundo do mar - Foto via Getty Images
Posicionada em uma concha gigante, a cantora Florence Welch lembrou a Vênus de Botticelli - Foto via Look.co.uk
Confiram nossa seleção de looks do desfile...
Fotos: Yannis Vlamos / GoRunway.com, via Style.com
Fotos: Gianni Pucci / GoRunway.com, via Style.com
Fotos: Luca Cannonieri / GoRunway.com, via Style.com
Fotos: Marcus Tondo / GoRunway.com. via Style.com
Fotos: Gianni Pucci / GoRunway.com, via Style.com
Fotos: Gianni Pucci / GoRunway.com, via Style.com
Fotos: Luca Cannonieri / GoRunway.com, via Style.com